domingo, 12 de julho de 2009

Barriga de Freira


Pintou os olhos de preto e colou os cílios postiços. Ouviu dizer que uma mulher deve conquistar um homem pelo olhar. Teresa era moça bonita, quadris largos, ia ser boa parideira. De gêmeos. Era o sonho dela. Todo mês ela sangrava a falta dos filhos que não vinham. Desperdício de óvulos.

Trinta e cinco anos de idade e nenhuma barriga. Um umbigo que queria inchar mesmo que fosse preciso cortar depois para arrumar a hérnia.

A avó da mulher feita já olhava para a neta com pena. Olhar objetivo de quem usa óculos e aumenta a desgraça dos outros. Teresa olhava para a avó com o olhar turvo de quem não usa lentes, e nem enxerga a barriga.

Saiu, comprou uma barriga de freira e comeu. Era doce. Mas a barriga de Teresa ainda roncava de maternidade.

Chegou na casa da avó que já não tinha útero, abriu o congelador e decidiu congelar um ovo inteiro para usar depois. Juntou dinheiro e congelou dois, porque queria um menino e uma menina. Dois casulos guardados para os filhos.

No mês de agosto Teresa completou cinquenta anos. Foi a única vez que a avó viu a barriga inchada de Teresa. Lá dentro, bem guardado, a neta gerava um mioma.






3 comentários:

  1. Mariana querida,
    acabei de re-conhecer uma escritora!!!!!!
    Ou des-cobrir uma.
    Parabéns, darling. Amei.
    bjks e vida longa e criativa à mulher que ama o amor...
    Sonia

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  2. Ó, adicionei você na minha lista de blogs que acompanho...
    É a fama, é a fama que se avizinha!!!!

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  3. vejam só... marianas e sonias se rendendo ao universo blogueiro... sejam bem vindas e vida longa às vossas crias...kisses mariana

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