
Tem uma hora que a gente decide que o corpo é nosso. Não do outro. Começa aí um processo interessante da mulher. Essa guerra entre o que nos foi imposto e o que é de fato, se inicia pelas mãos.
Não pintamos as unhas.
Olhamos para baixo e nos deparamos com o sexo quase nú e não nos reconhecemos. Estipulamos o fim das depilações acrobáticas e voltamos a ser peludas. Voltamos a ser mulher.
A redescoberta do corpo é lenta e complicada.
O espelho nos vigia.
A academia deixa de ser um igreja na qual a gente reza todos os dias pela manhã. A fé agora é maior. Em sí.
Ingerimos pedaços grandes de pão. E depois, a gente dá descarga. É o fim da prisão de ventre. A gente não se preocupa mais com a barriga.
O corpo é nosso.
É a gente que manda.
Mas o espelho nos vigia.
Chega um dia, porém, que a gente divide ele com o outro. A gente cede. A gente recebe visita.
Há na anatomia feminina uma porta de entrada sabe se lá para onde... Mas agora, ao menos, ela tem cortinas....

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