
Tinha eu vinte e nove anos de idade quando T. me apareceu. Numa tarde de dezembro me convidou para almoçar. Ele tinha outras mulheres aos finais de semana. Eu sempre soube. Também tive outros homens, nas sextas, nos sábados e nos domingos de samba no bairro da Lapa. Vivíamos dessa maneira, um tanto bandida de ser.
Numa segunda-feira o trouxe para casa. Sempre que T.me seguia sentia um frio na barriga como se fosse a primeira vez em que se chega a uma nova escola primária. E vivíamos alí naquele pequeno apartamento no bairro do Leblon algo da ordem da loucura. Física quântica mal explicada e longe de ser compreendida. Fascinante, porém.
Seguimos assim por oito meses do ano.
Um dia o deixei.
T. não podia mais fazer comigo o que a física quântica fizera no primeiro ano do colegial.

Mariana
ResponderExcluirPor um feliz acaso encontrei seu blog.
Muito bom seus contos. São como haicais: criam em nós imagens que produzem sensações, emoções. Você poderia nos brindar com um conto de mais fôlego.
Você escreve muito bem: talvez pudesse pensar também em um romance. Não sei se você sabe, mas você é escritora!
Com admiração,
Arthur