
Ele não falava a minha língua. Nem eu a dele. No dia em que França e Brasil se encontraram pela primeira vez entendi o que dizia Piaf sobre o rosa.
Paul Louis tinha vinte e nove anos quando imigrou para o meu país. Eu, trinta.
Encontramo-nos numa noite de domingo, no bairro da Lapa. E vivemos por sete dias sem saber ao certo onde estávamos.
De dia fazíamos planos juntos, e à noite nos pertubava o sono o oceano que existe no mapa.
Uma vez, antes de partir ele esvaziou a mala e pediu que eu me colocasse dentro. Meu corpo latino impediu-me de atender ao desejo daquele homem. A mala foi se embora com Paul, numa tarde de domingo ensolarada, sem eu dentro.
Hoje o meu homem não está mais aqui.
Desde o dia em que Paul Louis se foi, matriculei-me numa escola de circo e tornei-me contorcionista.

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