segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cirque du Soleil


Ele não falava a minha língua. Nem eu a dele. No dia em que França e Brasil se encontraram pela primeira vez entendi o que dizia Piaf sobre o rosa.

Paul Louis tinha vinte e nove anos quando imigrou para o meu país. Eu, trinta.

Encontramo-nos numa noite de domingo, no bairro da Lapa. E vivemos por sete dias sem saber ao certo onde estávamos.

De dia fazíamos planos juntos, e à noite nos pertubava o sono o oceano que existe no mapa.

Uma vez, antes de partir ele esvaziou a mala e pediu que eu me colocasse dentro. Meu corpo latino impediu-me de atender ao desejo daquele homem. A mala foi se embora com Paul, numa tarde de domingo ensolarada, sem eu dentro.

Hoje o meu homem não está mais aqui.

Desde o dia em que Paul Louis se foi, matriculei-me numa escola de circo e tornei-me contorcionista.



























domingo, 6 de setembro de 2009

Física Quântica


Tinha eu vinte e nove anos de idade quando T. me apareceu. Numa tarde de dezembro me convidou para almoçar. Ele tinha outras mulheres aos finais de semana. Eu sempre soube. Também tive outros homens, nas sextas, nos sábados e nos domingos de samba no bairro da Lapa. Vivíamos dessa maneira, um tanto bandida de ser.

Numa segunda-feira o trouxe para casa. Sempre que T.me seguia sentia um frio na barriga como se fosse a primeira vez em que se chega a uma nova escola primária. E vivíamos alí naquele pequeno apartamento no bairro do Leblon algo da ordem da loucura. Física quântica mal explicada e longe de ser compreendida. Fascinante, porém.

Seguimos assim por oito meses do ano.

Um dia o deixei.

T. não podia mais fazer comigo o que a física quântica fizera no primeiro ano do colegial.