domingo, 9 de agosto de 2009

Quinze para o meio Dia


Ganhou um relógio de presente. Tinha a pulseira de couro e os algarismos romanos. O presente veio numa caixa com um bilhete escrito à mão de homem: tempo. Era só o que dizia. Não soube nunca quem lhe enviara presente tão estranho. Usou mesmo assim.

Um dia andando pela rua da Passagem uma menina de uns oito anos lhe perguntou as horas. A mulher vigiada pelo tempo do relógio, olhou os ponteiros e sussurou no ouvido da pequena de chiquinhas: faltam quinze para o meio dia.

Depois disso, olhou o relógio dourado, fez parar as cordas e jogou o tempo no lixo. Nunca mais respondeu a ninguém e nem a sí própria a hora que passava nos dias.

O tempo daquela mulher de trinta anos, naquele dia de sol, na rua da passagem ficou parado numa esquina.


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